O que propomos não tem nada a ver com reprimir a raiva. O conceito de administração de conflitos consiste em usar a inteligência em vez da emoção desvairada. Reprimir seria impedir o livre fluxo da emoção destrutiva. Administrar conflitos consiste em não bloquear e sim direcionar, canalizar, sublimar, a fim de que as emoções saiam, fluam livres, mas na direção que mais nos convier com vistas a resultados futuros.
Algumas vezes, é preciso saber ceder. Não se reprimir, mas sim aplicar estratégias de liderança.
Eu li muito sobre educação de cães para criar minha filhota weimaraner. O melhor método para levar o cão a fazer o que você quer é cativá-lo, e não apostar forças com ele, gritar com o coitado e muito menos puni-lo ou bater nele. Em algum lugar escutei a frase: “o homem é um cão com polegar opositor”. O treinador estava se referindo a como é fácil induzir um homem a fazer o que a namorada quiser, desde que ela saiba aplicar a liderança do reforço positivo. E também porque os homens, como os cães, não conseguem pensar em mais de uma coisa de cada vez!
Todos queremos estar no controle. Pois a forma mais racional e que proporciona melhores resultados não é fazer jogo duro ou vomitar as emoções atabalhoadamente. Quando você compreende que “quem diz o que quer ouve o que não quer”, suas palavras e ações passam a ser mais inteligentes. Imagine uma enorme pedra, estável na beirada de uma ribanceira. A pedra é o nosso emocional. Enquanto está ali, parada, dá-nos a impressão de que sua estabilidade é perene. No entanto, sua posição é suscetível a rolar morro abaixo. Basta um pequeno toque, talvez com a ponta do seu dedo indicador, para fazê-la perder a aparente estabilidade e descer destruindo tudo. Assim é o nosso emocional. Em um momento você está feliz e alegre; no momento seguinte – por uma eventualidade qualquer – você se torna furioso ou entristecido.
No entanto, se a pedra começar a oscilar, na posição em que se encontra também basta um dedo do outro lado para evitar que despenque. É como funciona o nosso emocional. Apenas um dedo é o suficiente para evitar um desastre, desde que aplicado na hora certa, antes do desencadeamento. Lembra-se da história de Peter, o menino-herói holandês? Ele viu uma rachadura no dique e colocou o seu dedinho para evitar que a força da água aumentasse o orifício e terminasse por romper a barragem. Apenas um dedo, o dedo de uma criança, foi o suficiente para evitar uma tragédia.
Se você conseguir detectar uma ameaça de surto de emocionalidade apenas um átimo antes que ele se deflagre, será muito fácil evitar o chilique, bastando colocar o seu dedo na brecha da represa. Aprendi isso com a minha weimaraner. Os cães, como os humanos, sempre sinalizam no segundo anterior o que pretendem fazer a seguir. Se o seu tutor demora para enviar um comando de derivação, o cão desembesta, por exemplo, para atravessar a rua! Mas se o humano percebe um instante antes e dispara o comando (“fica” ou “não” ou qualquer outro), o cão educado, que ainda não começou a ação, obedece.
Do livro Mude o mundo, comece por você, Professor DeRose, Egrégora Books.
FAQ
Qual a diferença entre reprimir e administrar emoções?
Reprimir é impedir o livre fluxo da emoção — bloqueá-la, o que não propõe o texto. Administrar conflitos consiste em não bloquear, e sim direcionar, canalizar e sublimar, para que as emoções saiam e fluam livres, mas na direção que mais nos convier, com vistas a resultados futuros. É usar a inteligência em vez da emoção desvairada.
O que ensina a analogia da correnteza?
Todo bom nadador de mar aberto sabe: se cair numa corrente, não se nada contra ela em direção à praia — isso exaure as forças. Nada-se a favor da corrente, para fora, dá-se a volta e só então se retorna. Nas relações humanas é igual: às vezes é preciso ceder estrategicamente para chegar onde se quer.
Como evitar um surto emocional antes que aconteça?
O emocional é como uma pedra estável na beira de uma ribanceira: um toque a faz despencar, mas um dedo do outro lado, aplicado na hora certa, evita o desastre. Cães e humanos sinalizam, no segundo anterior, o que vão fazer a seguir. Detectando a ameaça de surto um átimo antes do desencadeamento, fica muito fácil evitar o chilique.
O que é a liderança do reforço positivo?
É a estratégia de cativar em vez de confrontar: não apostar força, não gritar, não punir. Com cães — e com humanos — o caminho é a recompensa e a derivação da atenção. “O homem é um cão com polegar opositor”, ouviu o autor de um treinador: quando se trata de emoções, ambos reagem da mesma forma.
De qual livro vem esse texto?
Do livro “Mude o mundo, comece por você”, do Professor DeRose, publicado pela Egrégora Books. A administração de conflitos é um dos pilares da reeducação comportamental proposta pelo DeROSE Method.
